Com objetivo de apoiar a tomada de decisão baseada em evidências, organizações integrantes da Coalizão Aprendendo Sempre realizaram pesquisas com diferentes públicos para entender seus desafios, preocupações e desejos. Veja os levantamentos na íntegra e suas principais conclusões.

Os levantamentos na íntegra:

1 – Sentimento e percepção dos professores brasileiros nos diferentes estágios do Coronavírus no Brasil (quatro pulsos)
Por Instituto Península
Março de 2020 – pulso 1  / 1.536 professores da educação básica
Maio de 2020 – pulso 2 / 7.773 professores da educação básica
Agosto de 2020 – pulso 3 / 3.893 professores da educação básica

2 – Pesquisa: Educação escolar em tempos de pandemia na visão de professoras/es da Educação Básica
Por Fundação Carlos Chagas
Maio de 2020 / 14.285 docentes de todas as 27 unidades da federação

3 – Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias (duas ondas)
Por Fundação Lemann e Itaú Social
Maio de 2020 – onda 1 / 1.028 pais e responsáveis/1518 estudantes
Junho de 2020 – onda 2 / 1018 pais e responsáveis/1518 estudantes
Julho de 2020 – onda 3 / 1.056 pais e responsáveis/1518 estudantes

4 – Juventudes e a Pandemia de Coronavírus
Por Coordenada pelo Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE) e parceiros: Visão Mundial, UNESCO, Em Movimento, Rede Conhecimento Social, Porvir e Mapa Educação
Maio de 2020 / 33.688 jovens de 15 a 29 anos

 

Conclusões

– Retratos da educação no Contexto da pandemia do Coronavírus
Por Rede Conhecimento Social, Fundação Lemann, Fundação Carlos Chagas, Itaú Social, Instituto Península, Fundação Roberto Marinho
Agosto de 2020

 

Rotinas dos professores

Educadores dedicam mais tempo para se capacitar e trabalhar em casa

  • 50% dos professores declararam dedicar mais tempo a estudos de capacitação profissional e 62% a trabalhar em casa nas atividades da escola. Entre os docentes do ensino médio, esse índice chega a 68%. (Instituto Península, pulso 2)
  • 77% dos professores disseram que ampliaram o tempo dedicado a cursos a distância e 72% aumentaram o tempo de participação em reuniões pedagógicas a distância. (FCC)
  • 91% dos professores declararam que as atividades de escrever e responder e-mails e mensagens de SMS ou Whatsapp ocuparam mais tempo em suas rotinas. Já as ações de planejar, preparar e ministrar aulas com novos recursos ou ferramentas se intensificaram para 80% dos participantes. (FCC)


Estratégias educacionais

Contato com famílias e estudantes é parcial e desigual

  • As principais estratégias educacionais usadas pelos professores durante a pandemia foram o uso de materiais digitais e envio de orientações via redes sociais (77% dos respondentes) e as orientações às famílias para estimularem e acompanharem as atividades em casa (54%). Na educação infantil (60%) e no ensino fundamental (65%), a estratégia de enviar orientações às famílias foi mais adotada que nas outras etapas. (FCC)
  • Apenas 61% dos professores declararam manter contato com seus alunos. Entre as redes de ensino, essa relação é desigual:  a proporção daqueles que consegue manter contato chega a 77% na rede privada, a 68% na rede estadual e a 51% nas redes municipais. (Instituto Península, pulso 2)
  • 74% das famílias dizem que os estudantes receberam atividades para realizar em casa, sendo a maioria delas por meio de materiais digitais e videoaulas, tanto gravadas pelos professores quanto oferecidas pelas secretarias. (Fundação Lemann/Itaú Social, onda 2)
  • 59% dos estudantes de ensino médio disseram que sua escola está oferecendo conteúdos e materiais em aplicativos ou plataformas online e 49% responderam que têm acesso à oferta de aulas em plataforma digital com mediação do professor. (Conjuve e parceiros)


Whatsapp é a principal ferramenta de comunicação com estudantes e famílias

  • 96% das residências têm pelo menos um aparelho celular, sendo que 77% possui 2 ou mais aparelhos, mas apenas 42% têm um computador ou notebook e 46% têm pelo menos um televisor com acesso à internet. (Fundação Lemann/Itaú Social, onda 2)
  • 83% dos professores mantêm contato com estudantes via Whatsapp. Nas redes municipais (88%) e estaduais (85%), essa proporção é ainda maior, enquanto na rede privada, que tem mais alternativas para se comunicar com os estudantes, o aplicativo é menos usado (56%). (Instituto Península, pulso 2)
  • Familiares disseram que 66% dos estudantes tiveram atividades propostas por meio do celular, 43% pelo computador, 42% por material impresso, 17% pela TV e 1% pelo rádio. (Fundação Lemann/Itaú Social, onda 2)


Professores focam em conteúdos e estudantes querem apoio emocional

  • 73% dos professores declararam que procuram manter o conteúdo de sua disciplina nas atividades não-presenciais, 47% propõem novas experiências de aprendizagem e 41% dividem o tempo entre conteúdo, orientações sobre a pandemia e temas trazidos pelos alunos. (FCC)
  • 54% dos jovens pedem atividades para trabalhar emoções e 49% querem ter acesso a estratégias que ajudem a organizar o tempo e os estudos. (Conjuve e parceiros)


Efeitos no ensino e aprendizagem

Estudantes têm dificuldade de estudar em casa e aprendem menos

  • 82% das famílias de estudantes que tiveram acesso a atividades oferecidas pelas escolas dizem que eles estão realizando a maioria das propostas, e a maior parte deles (53%) se dedica entre 1 e 3 horas aos estudos (Fundação Lemann/Itaú Social, ondas 1 e 2)
  • Segundo os familiares dos estudantes, 58% têm dificuldade para manter rotina de estudos e de atividades escolares em casa, e 46% deles não estão motivados para realizá-las. 46% acreditam que os estudantes não estão evoluindo no aprendizado. (Fundação Lemann/Itaú Social, onda 2)
  • 86% dos jovens estudantes dizem que é difícil tirar dúvidas com professores sem contato presencial e 84% admitem que têm dificuldade de se organizar para estudar a distância. 78% também dizem que o lado emocional atrapalha os estudos. (Conjuve e parceiros)


Efeitos no estado emocional

Professores e estudantes estão ansioso

  • 67% dos professores declararam que se sentem ansiosos, 34% estressados, 35% sobrecarregados, 38% cansados, 36% entediados e 27% frustrados.  (Instituto Península, pulso 2)
  • 54% dos professores acreditam que a ansiedade e/ou depressão entre estudantes aumentou. (FCC)
  • 64% dos familiares avaliam que os estudantes estão ansiosos, 45% os consideram irritados, 37%, tristes, e 23% dizem que eles têm medo de voltar à escola. (Fundação Lemann/Itaú Social, onda 2)
  • Jovens estudantes do ensino médio concordam que se sentem entediados (62%) e ansiosos (60%). (Conjuve e parceiros)

Risco de evasão

  • 27% dos jovens do ensino médio já pensaram em não voltar para a escola ao final do período de suspensão das aulas. (Conjuve e parceiros)
  • 31% das famílias dizem concordar totalmente ou em parte que têm receio de que os estudantes desistam dos estudos (IS/FL, onda 1 e  2)


Apoio das escolas a estudantes, familiares e docentes

Relação com famílias e estudantes é melhor no ensino fundamental

  • 46% dos professores afirmam que aumentou a relação família-escola durante a pandemia, e 47% consideram que aumentou o vínculo com as famílias. Esta percepção é mais evidenciada pelos professores dos anos iniciais do ensino fundamental, seguida por aqueles nos anos finais dessa etapa. (FCC)
  • 48% das famílias têm a percepção de que as orientações recebidas da escola para apoiar as atividades são suficientes. Entre os familiares de alunos dos anos iniciais, esse índice chega a 62%. (Fundação Lemann/Itaú Social, onda 1)

Professores pouco preparados e com apoio restrito

  • 83% dos professores se sentem pouco ou nada preparados para ensinar de forma remota. 75% deles pedem apoio e treinamento para dar aulas não presenciais e 64% querem suporte pedagógico para conseguir auxiliar os alunos. (Instituto Península, pulso 1)
  • 15% dos professores disseram que receberam suporte emocional das escolas, 39% tiveram apoio e treinamento para ensinar a distância e 54% declararam que as escolas adaptaram o currículo. O suporte para dar aulas remotas é menor nas redes municipais (30%). (Instituto Península, pulso 1)


Retorno às atividades presenciais

Temor de contágio e divisão sobre conclusão do ano letivo

  • 85% dos professores são favoráveis à readequação dos modelos de avaliação quando as aulas voltarem. 66% concordam que será necessário o rodízio de alunos para evitar aglomerações e 56% apoiam a continuidade do ensino online junto com o presencial.
  • 87% dos familiares temem a contaminação dos estudantes pelo coronavírus no retorno às aulas presenciais. Não conseguir acompanhar o volume de atividades (49%), não conseguir acompanhar as aulas (43%) e não conseguir se concentrar nas aulas (39%) são outras preocupações das famílias. (Fundação Lemann/Itaú Social, onda 2)
  • Os familiares estão divididos em relação à conclusão do ano letivo: 48% acham que os estudantes estão preparados para concluir o ano letivo em curso e 47% preferem que eles percam o ano. Para não perder o ano, 89% dos familiares acreditam que vale a pena continuar com as atividades em casa, 73% acham que seria válido ter aulas aos sábados e 72% concordam com prorrogar o ano de 2020 para 2021. (Fundação Lemann/Itaú Social, onda 2)

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